DA REDAÇÃO – O corte de árvores em diferentes pontos de Raul Soares tem provocado debate e mobilizado moradores, ambientalistas e representantes do poder público. Desde o início de 2025, dezenas de árvores foram suprimidas. Houve ainda o caso do corte de uma gameleira, no bairro Tarza, isso no começo do mandato do prefeito, apontada por moradores como centenária, o que intensificou questionamentos sobre os critérios adotados, a ausência de um plano de arborização e os impactos ambientais das intervenções.
Movimento cobra explicações
Diante da repercussão, o Movimento Coletivo Gestão Popular encaminhou um pedido formal de esclarecimentos à Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal. No documento, o grupo afirma que os cortes vêm gerando preocupação na população e solicita informações sobre o conhecimento da comissão a respeito das intervenções, se há concordância com as medidas adotadas e quais fundamentos técnicos, legais ou ambientais embasaram as decisões.
“O objetivo deste pedido é contribuir para a transparência das ações relacionadas à preservação ambiental no município e garantir que eventuais intervenções estejam em conformidade com a legislação vigente e com o interesse público”, destaca o coletivo.
Em nota complementar, o Movimento Coletivo Gestão Popular fez críticas mais duras à condução do processo, afirmando que “mais corte de árvores, uma após a outra” tem ocorrido na cidade. Para o grupo, mais grave do que a supressão vegetal é o que classifica como silêncio do governo municipal e dos vereadores diante de um tema que envolve meio ambiente e saúde pública.
Segundo o coletivo, embora algumas justificativas tenham sido apresentadas — como danos aos passeios públicos e o uso de espécies inadequadas para arborização urbana —, parte dos cortes teria ocorrido de forma indiscriminada. “Se havia justificativa para alguns cortes, outros vieram no ‘passar da boiada’. A população recebeu com espanto não só a devastação da arborização, mas também a ausência de um plano de plantio e de reurbanização da cidade”, afirma o texto.
O grupo ainda relaciona o debate local a um contexto mais amplo de crise climática, aumento das temperaturas e degradação ambiental, defendendo que decisões públicas devem priorizar o bem-estar coletivo. “Quando não se governa pensando no coletivo, nenhuma justificativa convence. Ouvir a população não é sinal de fraqueza, mas de força e respeito”, conclui a manifestação.
O manifesto assim se encerra: “Se não há estudo e avaliação técnica da operação de cortes e supressão da cobertura arbórea, o negacionismo acompanha a política ambiental, contrariando pesquisas e estudos científicos, e os avisos incessantes da natureza.
“A natureza deve ser parte do DNA das cidades, não apenas um complemento”.
Investir em arborização urbana é, portanto, investir em um futuro mais sustentável, saudável e confortável para todos, e uma estratégia de adaptação vital para que nossas cidades sejam mais resilientes diante das mudanças climáticas”.
Alegações
O DIÁRIO entrou em contato via rede social com a Prefeitura de Raul Soares, mas não obteve resposta até o final desta edição. O espaço segue aberto para os esclarecimentos.
No entanto, através das redes sociais, o prefeito de Raul Soares, Sílvio Cláudio Silveira, o ‘Silvinho da Antárctica’, tem postado vídeos para explicar as medidas. Em vídeo publicado em 10 de novembro de 2025, durante encontro com taxistas, representante da Associação Comercial e o secretário municipal de Meio Ambiente, o prefeito afirmou que os cortes ocorreram após reclamações sobre danos nos passeios públicos. “Algumas pessoas estavam caindo, e infelizmente nós teremos que cortar essas árvores para fazer um serviço mais moderno, um serviço que dê segurança, não só para os pedestres, mas também para os taxistas. A gente sabe que eles vão perder, infelizmente, essa sombra maravilhosa”, disse.
Em outra gravação, o prefeito reforçou que as árvores retiradas seriam inadequadas para calçadas urbanas. “Essas árvores estão estourando os passeios. Tem lugar com desnível de mais de 20 centímetros, o que traz transtorno principalmente para pessoas de idade”, afirmou. Segundo ele, para cada árvore retirada, outras seriam plantadas. “Para cada árvore que a gente tiver que arrancar, será plantada no mínimo duas ou três em outro lugar. O que estamos fazendo é com muita responsabilidade”, declarou.
Em determinado momento, o prefeito declarou: “Para vocês da ‘ingestão popular’, vocês vão sofrer muito, porque nós vamos trabalhar muito, se Deus quiser. Não adianta ficar contra, torcendo contra, que nós vamos trabalhar muito”.
Em um vídeo do começo de 2025, disponível na página do Folha Soarense, ao ser questionado por uma cidadã sobre o corte da gameleira, o prefeito alega que no local seria construído um posto do Programa de Saúde da Família (PSF). O chefe do executivo indaga a cidadã se ela prefere a gameleira ou PSF? A cidadã responde dizendo que existem outros lugares para construção do PSF e que não precisava cortar a árvore.
A obra de construção do PSF está em andamento.
Debate em aberto
Conforme o movimento, o debate segue em aberto, enquanto a população aguarda esclarecimentos formais da Comissão de Meio Ambiente da Câmara e informações detalhadas sobre replantio, planejamento de arborização urbana e critérios técnicos adotados pelo município.










