DA REDAÇÃO – Pelo segundo ano consecutivo, o Brasil vive clima de Copa do Mundo com o Oscar. O longa “O Agente Secreto” e o diretor de fotografia Adolpho Veloso consagram o cinema nacional com cinco indicações recordes ao prêmio mais importante da indústria cinematográfica mundial.
No ano passado, “Ainda Estou Aqui” era o representante nacional e concorreu às categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz. Já “O Agente Secreto” repete as indicações à Filme e soma Melhor Ator e Direção de Elenco, totalizando quatro indicações ao Oscar 2026.
Em Melhor Filme, concorrem dez produções. Os principais concorrentes de “O Agente Secreto” são “Pecadores”, indicado a 16 categorias, e “Uma batalha após a Outra”, concorrendo em 13. Abaixo, saiba mais sobre os filmes.
Na categoria de Melhor Filme Internacional, “O Agente Secreto” terá uma disputa acirrada com a produção norueguesa e favorita ao prêmio “Valor Sentimental”. Ambos os longas também estão indicados para Melhor Filme. Ainda concorrem o franco-iraniano “Foi Apenas um Acidente”, o espanhol “Sirāt” e o tunisiano “A Voz de Hind Rajab”.
Desde 2020, o Oscar iniciou um processo de internacionalização ao aumentar o número de votantes para incluir novos membros de fora dos Estados Unidos e da Europa. A medida resultou em mais indicações de filmes feitos fora de Hollywood para os principais prêmios da indústria, como “Parasita”, produção da Coreia do Sul e vencedora de quatro Oscars, incluindo Melhor Filme, e o brasileiro “Ainda Estou Aqui”, que pleiteava a categoria de Melhor Filme, após um hiato de vinte e seis anos em que o país não concorria.
Quando o Brasil venceu o Oscar pela primeira vez com “Ainda Estou aqui”, a atenção mundial da imprensa, indústria cinematográfica e de espectadores se volta para o país. A visibilidade também traz novos investimentos estrangeiros e ajuda a fomentar a produção local, frequente alvo de ataques ideológicos. Dados de 2024 apontam que o audiovisual brasileiro movimentou 70 bilhões de reais e gerou 600 mil empregos, segundo o site especializado Filme B. O índice de ocupações é maior do que o gerado pela indústria automotiva. O público de cinema interessado nas produções nacionais cresceu 10,3%, segundo levantamento do site Meio & Mensagem.
A lista prévia de possíveis concorrentes ao Oscar 2026, chamada de shortlist, indicava que o Brasil poderia ter mais duas produções concorrendo ao prêmio. O documentário “Apocalipse dos Trópicos” e o curta-metragem “Amarela” figuravam, mas não receberam indicações. Contudo, o país se firma como um exportador de talentos. O montador do filme “Hamnet” é o brasileiro Affonso Gonçalves.
Outro conterrâneo trabalhando em Hollywood é Adolpho Veloso. O diretor de fotografia recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Fotografia por “Sonhos de Trem”. Na construção visual do filme, Veloso optou por explorar quase 100% de luz natural nas cenas externas, conferindo uma autenticidade e plasticidade únicas. A inovação rendeu um prêmio no Critics Choice Awards este ano.
O Oscar 2026 criou uma nova categoria de premiação após 25 anos. Agora, os votantes terão de decidir qual dos filmes indicados teve o melhor trabalho de escolha de casting. O representante brasileiro é o diretor de elenco Gabriel Domingues, de “O Agente Secreto”. O trabalho de Domingues é uma criação artística para escolher atores que deem vida aos personagens criados no roteiro. Ele mesclou atores famosos, iniciantes e pessoa sem experiência. É impossível não se apaixonar pela atriz Tânia Maria, intérprete da Dona Sebastiana, eleita pelo jornal New York Times como “a melhor atriz com cigarro”.
O grande destaque do elenco de “O Agente Secreto” é Wagner Moura. O ator é o único brasileiro indicado na categoria de Melhor Ator do Oscar em todos os tempos, um feito histórico. Ele disputa com o favorito Timothée Chalamet, por “Marty Supreme”. Pela atuação, Moura ganhou o prêmio de Melhor Ator no Globo de Ouro e no Festival de Cannes.
“O Agente Secreto” narra a volta pra Recife do misterioso professor Marcelo, que deseja começar uma nova vida. Mas, a cidade agora está envolta na corrupção e repressão da Ditadura Militar. O longa, dirigido por Kléber Mendonça Filho, de “Aquarius” e “Bacurau”, está disponível na Netflix. Após críticas internacionais positivas, um ótimo desempenho em Cannes e qualidades técnicas excepcionais, o filme foi o escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil no Oscar. A temporada de sucesso internacional também inclui Globo de Ouro e Critics Choice Awards de Melhor Filme em Língua Não-inglesa este ano.
O Oscar é organizado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. 10 142 membros são aptos a votar nas categorias, entre eles, sessenta e três brasileiros. A transmissão da cerimônia de entrega dos prêmios poderá ser vista na TV aberta (Globo, 21h), streaming (HBO Max, a partir das 18h30) e na TV por assinatura (TNT, a partir das 20h). Se o cinema nacional é capaz de reproduzir o clima patriótico de uma Copa do Mundo, vamos desejar o bicampeonato cinematográfico, torcedor-espectador.
* Emanuel Luiz Brandão (especial para o “Diário”)









