CARATINGA – Na tarde de 24 de março, o tempo não passou, ele foi celebrado. Entre fios, agulhas, risadas e abraços, o Grupo Feliz Idade, mantido pelo Lions Clube Caratinga Itaúna, comemorou 28 anos de existência mostrando que envelhecer pode ser, na verdade, um recomeço cheio de cores.
O que um dia nasceu como um simples espaço de encontro hoje se transformou em uma verdadeira rede de afetos. Na sede do clube, no bairro Limoeiro, cada canto revelava mais do que peças artesanais: ali estavam histórias bordadas com paciência, memórias costuradas com carinho e uma vontade coletiva de viver bem.
“Quando a gente olha para esses trabalhos, vê beleza. Mas quando participa, sente algo maior: pertencimento”, resume o presidente do Lions Clube Caratinga Itaúna, Ademir Ferreira. “O grupo não é só sobre fazer artesanato, é sobre não se sentir sozinho.”
E talvez seja justamente isso que dá vida ao Feliz Idade: o encontro. Entre uma linha e outra, surgem conversas, confidências e até novas amizades. Para Eny Miranda, integrante do grupo, os encontros são um respiro na rotina.
“Aqui a gente esquece das dores, dos problemas… e lembra que ainda tem muito pra viver. É como se cada dia fosse um presente”, conta, com um sorriso que traduz o que as palavras não alcançam.
A celebração também foi momento de memória. A professora Célia Bomfim, integrante da Assembleia e do Conselho Diretor da FUNEC e companheira leão, relembrou a origem do projeto e reforçou sua essência.
“O Feliz Idade nasceu com um propósito muito simples e poderoso: cuidar das pessoas. E isso continua vivo. Aqui, ninguém pergunta a idade, pergunta se você quer participar”, destacou.
E quem chega, fica. Mesmo sendo formado majoritariamente por mulheres idosas, o grupo mantém as portas abertas para todos. Porque, ali, o que importa não é o tempo de vida, mas a vontade de compartilhar.
A tarde ganhou ainda mais significado com a presença de cerca de 20 mulheres do grupo “Literatura com Bordados”, de Inhapim. A troca entre os grupos ampliou horizontes e reforçou que a arte também é ponte.
“Quando a gente se encontra, aprende novas técnicas, mas, principalmente, novas formas de ver a vida”, afirmou a coordenadora Maria Mazarello. “É uma troca que vai muito além do bordado.”
E como toda boa celebração, houve canto, aplausos e emoção. O “parabéns” ecoou não apenas pelos 28 anos de história, mas por tudo o que foi construído ali: vínculos, autoestima e um novo jeito de enxergar o envelhecimento.
Para Maria do Rosário, artesã do grupo, o sentimento é de gratidão.
“Eu cheguei aqui achando que vinha só ocupar o tempo… mas encontrei um novo sentido pra ele. Hoje, eu vivo melhor.”
No Feliz Idade, o tempo não pesa, ele floresce. Porque, quando compartilhado, cada minuto se transforma em algo maior: uma história que vale a pena ser vivida.








