CASO JOÃO MIGUEL: Motorista não aparece para depor

CARATINGA – A motorista envolvida no atropelamento que resultou na morte do pequeno João Miguel, de 4 anos, não compareceu para prestar depoimento nesta terça-feira (31/3). A oitiva estava prevista no inquérito que apura o caso.
O fato ocorreu no último dia 2, em frente a uma escola, e causou forte comoção em Caratinga. Na ocasião, o veículo subiu o acesso ao local e atingiu quatro pessoas.
Entre as vítimas estava João Miguel, que sofreu os ferimentos mais graves. Ele foi socorrido em estado crítico, mas não resistiu e morreu na madrugada do dia 3.

Família cobra respostas
Passados quase 30 dias, a família afirma não ter recebido esclarecimentos das autoridades e cobra celeridade nas investigações. A mãe da criança, Gabriela Fernanda, desabafou sobre a dor e a indignação.
“Vai fazer 30 dias que o meu filho foi enterrado, foi morto na porta da escola, e até hoje não tivemos resposta nenhuma. Estamos pedindo justiça por uma criança de 4 anos que tinha um futuro brilhante pela frente”, disse.

Ela também questiona a conduta da motorista. “No vídeo mostra claramente que ela se distraiu com alguma coisa. Meu filho saiu de casa para ir para a escola e não voltou por causa de uma irresponsabilidade. Sei que não saiu para matar, mas o meu filho pagou com a vida”, afirmou.
Gabriela destacou ainda a ausência de contato. “Nenhuma pessoa me procurou, ninguém mandou uma mensagem. Bastava dizer que não fez por querer, que iria responder. Eu estou tentando até perdoar, mas preciso de justiça”, declarou.
A mãe relatou ainda o impacto da perda na família. “Meu filho mais novo chora, pergunta pelo irmão. Eu não consigo me alimentar, não consigo viver. Estou de pé porque Deus está me sustentando. Nada vai trazer meu filho de volta, mas a justiça precisa ser feita”, disse.
O advogado André Gustavo, que acompanha a família, reforçou que há pontos importantes a serem esclarecidos. “A família busca respostas. Por que a condutora estava de chinelos? Por que, segundo testemunhas, falava ao celular? Por que insistia em parar naquele local, mesmo advertida diversas vezes?”, questionou.
Ele explicou que a equipe jurídica atua no acompanhamento do inquérito. “Estamos sugerindo diligências, inclusive sobre a sinalização no local. Por que só após o fato foram colocados cones? Havia um fluxo intenso de crianças e outros motoristas também assumiam esse risco”, pontuou.
Segundo o advogado, até o momento não houve contato da defesa da motorista. “Nem a família nem qualquer representante da condutora nos procurou para prestar esclarecimentos”, afirmou.
A Polícia Civil deve remarcar o depoimento da motorista, considerado fundamental para o andamento das investigações.

Defesa da motorista

O advogado Dário Júnior, que representa a condutora, afirmou que a ausência no depoimento se deve ao estado emocional da cliente. “Desde o trágico episódio ela foi diagnosticada com um quadro de estresse pós-traumático, tendo sido medicada desde então. A defesa manifestou nos autos do inquérito que, por enquanto, ela não possui condições emocionais de prestar declarações sobre os fatos em apuração”, declarou.
Ele também afirmou que houve assistência às demais vítimas. “Desde o primeiro momento, a família da condutora teve contato direto com as vítimas que sofreram lesões corporais, prestando assistência material e psicológica na medida das necessidades”, disse.
Sobre a família de João Miguel, o advogado alegou dificuldades de aproximação. “O contato direto foi inviabilizado pela forma exaltada como se manifestaram em entrevistas, utilizando termos ofensivos e agressivos. A defesa entende que isso se deve à dor imensurável que estão sofrendo”, afirmou.
Por fim, ressaltou que a condutora e seus familiares também enfrentam um momento difícil. “Podemos assegurar que ela e seus familiares também estão passando por muito sofrimento”, concluiu.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *