A QUESTÃO NÃO ESTÁ EM PAUTA

Margareth Maciel de Almeida Santos

Doutora em Sociologia Política (IUPERJ)

Membro do Instituto Nacional dos Advogados do Brasil (IAB-RJ)

Resolvi pesquisar quem era a maioria dos eleitores do atual presidente Jair Bolsonaro na eleição passada, em 2018, na qual ele foi eleito presidente do Brasil. Fui levada por uma reflexão que me fizesse pensar a atual pesquisa eleitoral que se apresenta por meio das mídias, neste ano 2022, na qual Bolsonaro se coloca novamente na disputa para o cargo de presidente do Brasil. Atualmente as pesquisas mostram que o ex-presidente Lula apresenta vantagem nas intenções de voto em relação a Bolsonaro, para a disputa desta eleição repito, para presidente do Brasil agora em 2022.

Encontrei uma matéria publicada pelo BBC NEWS BRASIL, (BBC em São Paulo) que data de 16 de dezembro de 2017, por Leandro Machado.(bbc.com/portuguese/brasil-41936761, cujo ponto principal era a seguinte questão: – “Por que 60% dos eleitores de Bolsonaro são jovens”?

Os analistas e cientistas sociais detalharam na época dessa pesquisa citada acima que esses 60% dos eleitores de Bolsonaro, tinham entre 16 a 34 anos e ainda que os que expressavam preferência por Bolsonaro tinham acesso à internet. Foi apresentada por meio de análises relevantes que esses eleitores jovens de Bolsonaro apresentaram certo desencantamento na época com os governos progressistas de esquerda. Para esses jovens, estes governos não conseguiram implementar reformas estruturais.

Bolsonaro começou a ganhar simpatizantes depois dos protestos de junho de 2013 nos conta o artigo (bbc.com/portuguese/brasil-41936761).  Segundo o referido site, “nesse ano de 2013 milhões de jovens tomaram as ruas para, primeiro, protestar contra o aumento das tarifas, de transporte e, depois, contra governos e políticos”. Explicam que as manifestações “surgiram com o Movimento Passe Livre (MPL), grupo de esquerda que, apesar de não gritar contra partidos, dizia-se apartidário. Em seguida, os protestos forma “cooptados” por manifestantes de direita, que chegaram a proibir bandeiras de partidos”. (bbc.com/portuguese/brasil-41936761).

O interessante foi que a pesquisa mostrou que no “no meio acadêmico, uma das análises para a ascensão da direita é a de que, do outro lado do espectro político, a esquerda partidária não ofereceu nenhum novo nome com alcance parecido ao de Bolsonaro. O principal expoente ainda é Lula”, diz o site em 2017(bbc.com/portugueses/brasil-41936761).

O que mais me chamou atenção é uma pesquisa realizada pela Rede Brasil Atual em 20 de setembro de 2022 (redebrasilatual.com.br/politica/2022/09), pesquisa Ipec, a qual mostrou “que metade do eleitorado (50%) afirmou que não votará no presidente Bolsonaro de jeito nenhum”. Nessa análise, o cientista político Paulo Niccoli Ramirez, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo em entrevista ao Jornal Brasil Atual,  “leva em conta a nova pesquisa Ipec, divulgada em 19 de setembro de 2022, sobre a eleição presidencial, que confirma a migração de votos nesta reta final de campanha”  confirmando a vantagem do candidato Lula sobre Bolsonaro. Por outro lado também Ramirez “pondera que é natural que quem está no poder tem índice maior de rejeição.” (redebrasilatual.com.br/2022/09).  Ainda para Ramirez, “a eleição deste ano é diferente da anterior, em que Bolsonaro enfrentou um adversário menos conhecido nacionalmente e era ele quem estava em primeiro lugar”.

O que será que aconteceu para que as pesquisas atuais apresentem dados tão relevantes de que Bolsonaro não se apresenta mais em primeiro lugar para a sua reeleição, como se deu em 2018 onde foi candidato à presidência da República do Brasil? E o que mais me chama a atenção é saber aonde estão esses 60% de jovens que apoiaram Bolsonaro nas eleições de 2018? Será que são esses jovens que Ramirez nos conta que migraram para outro candidato que não seja o presidente Bolsonaro?

Penso que é uma reflexão muito importante para se fazer entre esta semana e a outra. Estamos caminhando para as Urnas Eletrônicas a fim de que POSSAMOS dar a participação para um Brasil Melhor, pois é o que queremos. Escolher nossos representantes por meio do voto. Vamos escolher e votar em nosso futuro presidente que irá representar o nosso país, também os governadores, senadores, deputados federais e estaduais.

O que posso dizer é que em nossa Constituição Federal de 1988, as oportunidades devem ser dadas para todas e todos os cidadãos. Essa dignidade, que podem ser traduzidas em oportunidades, estão consagradas como princípios orientadores para fundamentar a ordem política e não podem ser fragmentados em uma Democracia.

Tomamos a cada dia a consciência dos direitos significativos trazidos sobretudo por meio de nossa Constituição de 1988 e as tensões e contradições são vivenciadas a cada momento. E isso nos importa, para que haja uma verdadeira consagração aos direitos de modo a permitir a criação de estruturas especializadas no tratamento das questões de interesse público.

PAZ E BEM!