Do violão do pai ao Lollapalooza: a jornada internacional de Zopelar

DA REDAÇÃO – Nascido em Caratinga, o músico, DJ e produtor Pedro Zopelar construiu uma trajetória que une formação musical sólida, sensibilidade artística e projeção internacional. A prova de seu sucesso é a recente e aclamada participação no Lollapalooza.
O início
A relação com a música começou ainda na infância, influenciada diretamente pelo pai, o médico Tomé Lucas Pereira Filho. “Quem conhece meu pai sabe o quanto ele ama música. Qualquer oportunidade que ele tem de tocar violão e cantar, ele aproveita. Esse amor veio muito dele”, conta. Foi justamente com um violão do pai, “dando sopa” em casa, que Zopelar iniciou sua jornada. “Eu pensei que poderia aprender a tocar. E foi um caminho sem volta.”
A curiosidade rapidamente se transformou em dedicação. Vieram as aulas de piano, ainda em Caratinga, e, junto delas, a decisão precoce de seguir carreira. Aos 16 anos, já tinha em mente um objetivo ambicioso: tornar-se músico profissional, com foco inicial na formação erudita.

Formação e virada para a música eletrônica

Aos 18 anos, Zopelar mudou-se para o Rio de Janeiro, onde ingressou no Conservatório Brasileiro de Música. Durante quatro anos, mergulhou nos estudos formais, ao mesmo tempo em que ampliava horizontes.
Foi nesse período que a música eletrônica passou a ocupar papel central em sua trajetória — embora as primeiras experiências com o gênero tenham ocorrido ainda em Caratinga, em saídas para a antiga boate Diesel.
A partir daí, sua carreira ganhou contornos múltiplos. Zopelar não se define apenas como DJ: é também produtor musical e instrumentista, atuando em diferentes frentes. “Além de tocar em festas e festivais, eu produzo meus próprios discos, trabalho com outros artistas e também atuo como músico.”

Carreira internacional e reconhecimento global

Com uma discografia consistente, o artista soma sete álbuns e diversos EPs lançados por selos internacionais e integra atualmente a agência italiana Sounds Familiar.
A trajetória internacional começou de forma marcante. Em 2014, embarcou para o Japão, onde participou da residência artística da Red Bull Music Academy. “Foram cerca de 30 horas de viagem. Depois disso, pensei: se aguentei isso, posso ir a qualquer lugar.”
Desde então, já se apresentou em países como Alemanha, Holanda, Inglaterra, Itália, Espanha, Portugal, México, Chile, Paraguai e Austrália — incluindo a Tasmânia. “O mais fascinante é poder conhecer o mundo trabalhando e ter contato direto com outras culturas.”

Palcos, experiências e a força da música eletrônica

Na Europa, cidades como Amsterdã (Países Baixos) e regiões da Itália se tornaram recorrentes em sua agenda. Ainda assim, ele evita eleger favoritos. “Cada lugar tem o seu molho. Às vezes você é surpreendido justamente onde não espera.”
No Brasil, Zopelar percorreu diversas capitais, consolidando seu nome na cena eletrônica. Para ele, o crescimento do gênero é evidente. “Hoje, muitos artistas utilizam bases eletrônicas. Isso mostra como o cenário mudou.”
A liberdade criativa é o que mais o atrai. “A música eletrônica permite misturar tudo. É um espaço muito livre, onde você pode criar sem tantas amarras.”

O Lollapalooza e o maior público da carreira

Um dos momentos mais marcantes da trajetória recente foi a estreia no Lollapalooza Brasil. “Foi a primeira vez que toquei lá, e foi super emocionante. Peguei o horário do pôr do sol, um dos maiores públicos que já tive.”
A participação no festival simboliza também a consolidação da música eletrônica em grandes eventos tradicionalmente dominados por bandas.

Produção musical e trabalhos de destaque

Além dos palcos, Zopelar também se destaca como produtor. Um dos maiores sucessos de sua carreira é a faixa Gasolina, do grupo Teto Preto, que alcançou milhões de reproduções e foi sampleada por Marina Lima. “Foi uma produção que teve um alcance muito grande e abriu muitas portas”, afirma.
Seu processo criativo é guiado pela intuição. “Eu tento deixar o processo o mais orgânico possível. Depois que a música nasce, penso no caminho que ela pode seguir.”

Reconhecimento e novos projetos
Recentemente, o artista foi indicado ao Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira, na categoria de música eletrônica. A notícia veio logo após sua apresentação no Lollapalooza. “Foi uma surpresa muito boa.”
Para os próximos meses, Zopelar prepara o lançamento de dois novos álbuns, ampliando ainda mais sua presença no cenário internacional.

Raízes e ligação com Caratinga
Mesmo com agenda intensa e base em São Paulo, o artista mantém forte vínculo com sua cidade natal. “Minha família está toda aí. É uma cidade muito especial para mim. Preciso voltar mais”, reconhece.
Entre viagens, produções e novos projetos, Zopelar segue transformando sua trajetória em uma ponte entre o interior mineiro e o mundo — uma jornada que começou com um violão em casa e hoje ecoa em pistas e festivais internacionais.

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