Comitê e abrigo vão reforçar políticas para população em situação de rua

CARATINGA – A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social se reuniu com representantes de diversos órgãos para planejar novas ações voltadas à população em situação de rua em Caratinga. O encontro marcou o início da criação do Comitê Pop Rua, um comitê intersetorial que irá integrar poder público e sociedade civil na construção, monitoramento e avaliação das políticas públicas destinadas a esse público.

A articulação envolve setores como Defesa Civil, Polícia Militar, saúde, assistência social, habitação e o Legislativo, com foco na organização da rede socioassistencial e na garantia de direitos, dignidade e inclusão social.

Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Social, Manoel Dornelas, a pauta é prioridade desde o início da gestão. “Quando assumimos, tínhamos mais de 120 moradores em situação de rua na cidade. Hoje, já reduzimos esse número por mais da metade. Esses dados são públicos”, afirmou.

Ele destacou que o trabalho tem sido contínuo e que a maioria das pessoas em situação de rua é do próprio município. “Nós temos feito um trabalho contínuo. Só em 2025 foram realizadas 656 abordagens sociais”, explicou.

Comitê Pop Rua

 

De acordo com as informações apresentadas na reunião, o Comitê Pop Rua será um órgão colegiado paritário, formado por representantes do governo e da sociedade civil. O objetivo é elaborar, acompanhar e avaliar as políticas municipais e estaduais voltadas à população em situação de rua.

O comitê terá como finalidade garantir direitos humanos, cidadania, acesso à justiça e inclusão social, além de realizar diagnósticos, propor projetos e monitorar ações nas áreas de assistência social, saúde, trabalho, moradia e habitação.

A composição inclui representantes de secretarias municipais, órgãos públicos e, fundamentalmente, representantes da própria população em situação de rua, garantindo que a voz dos usuários seja ouvida no processo de construção das políticas.

Acolhimento institucional com abrigo será implantado

Manoel Dornelas também anunciou a criação de um espaço específico para acolhimento e atendimento dessa população. “Até o mês de maio, iremos ter um local específico para a população procurar, denunciar essa situação que a cidade tem enfrentado. Já estamos em construção desse ambiente para a população de Caratinga”, disse.

Segundo ele, o município também oferece auxílio mobilidade para quem não é da cidade. “Foram concedidas 681 passagens em 2025 para que essas pessoas pudessem retornar às suas cidades de origem”, completou.

O prefeito Dr. Giovanni ressaltou que a questão da população em situação de rua é um problema nacional e que Caratinga, por estar às margens da BR-116, acaba recebendo muitos transeuntes. “Caratinga é uma cidade acolhedora. As pessoas oferecem alimento, cobertor, ajuda, principalmente no frio. Isso faz com que muitos acabem permanecendo aqui”, explicou.

Ele frisou como a administração tem atuado. “Quando assumimos, o cadastramento apontava 121 pessoas em situação de rua. Hoje temos menos de 70. Já conseguimos reduzir quase 50%, mas é um problema complexo, que não tem solução simplista”, afirmou.

Acolhimento será uma opção, não imposição

O prefeito explicou que o município está preparando um acolhimento institucional, com abrigo, para quem aceitar sair das ruas. “Estamos providenciando um local específico. A pessoa deixa de ser morador em situação de rua e passa a ser um morador em situação de acolhimento. É uma opção, não uma imposição”, destacou.

Ele frisou que a ação respeita os direitos do cidadão. “Não podemos levar ninguém de forma compulsória, a não ser por determinação do Ministério Público ou da Justiça. Estamos em um Estado Democrático de Direito”, afirmou.

Dr. Giovanni também destacou a possibilidade de reinserção no mercado de trabalho. “Aquele que desejar emprego, nós vamos buscar empresas parceiras. Se a pessoa tiver qualificação, vamos tentar encaminhá-la. Esse também é um eixo de solução”, disse.

Legislativo defende união entre as pastas

A vereadora Jéssica Silveira destacou a importância da criação do comitê e da atuação conjunta entre os setores. “Esse é um assunto muito delicado e complexo de se resolver sozinho. A criação do comitê é extremamente importante, porque não envolve só a assistência social, mas saúde, meio ambiente, defesa social, defesa civil, trânsito e o Legislativo”, afirmou.

Ela ressaltou que o comitê também será fundamental para a criação de leis municipais. “Hoje não temos leis municipais que fortaleçam esse trabalho. O Legislativo vai estar empenhado junto com o Executivo para criar essas normas. A expectativa é que até março esse comitê já esteja funcionando”, disse.

A vereadora chamou atenção ainda para impactos na saúde pública. “Muitos moradores de rua têm animais, e estamos encontrando animais doentes junto com essas pessoas. Isso também causa impacto na saúde pública”, pontuou.

CREAS mantém abordagens e atendimento contínuo

O coordenador do CREAS, Anderson Mol, explicou que o trabalho de abordagem segue de forma permanente. “As abordagens acontecem segunda, quarta e sexta-feira, das 18h às 20h, em locais como o Mercado Municipal, a Rodoviária e às margens da BR-116”, informou.

Segundo ele, o serviço será ampliado. “Vamos aprimorar as abordagens durante o dia para tentar minimizar o máximo possível essa mazela social”, disse.

Anderson destacou que o CREAS está à disposição da população. “Estamos de portas abertas. Quem precisar pode ligar para o 3329-8098 ou nos procurar na Rua Princesa Isabel, número 151”, orientou.

Ele relatou que muitos permanecem nas ruas devido à acolhida da cidade. “O que mais ouvimos é que a cidade é muito acolhedora. Isso, infelizmente, acaba tornando a situação cômoda para que permaneçam na rua”, concluiu.

Será criado um espaço específico para acolhimento e atendimento dessa população
Alguns costumam pernoitar nas escadas do mercado municipal

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