Alunos da Escola Estadual Feliciano Miguel Abdalla transformam Mercado Municipal em espaço de educação ambiental. A iniciativa é coordenada pela professora Sâmela Barroso
CARATINGA – Entre barracas, conversas e o movimento típico da feira no Mercado Municipal, um outro tipo de troca ganhou espaço no último sábado (28/3): a do conhecimento. Alunos da Escola Estadual Feliciano Miguel Abdalla transformaram o ambiente público em um verdadeiro laboratório a céu aberto ao apresentar a exposição científica “Ecologia e Educação Ambiental: Integração entre Ciência e Sociedade”, resultado de um trabalho que une investigação, prática e compromisso social.
A iniciativa, voltada ao público do Novo Ensino Médio e coordenada pela professora Sâmela Barroso, nasceu da inquietação dos próprios estudantes diante da realidade observada ao seu redor. “Ao estudar Ecologia e Educação Ambiental, os alunos observaram a realidade e constataram que a comunidade escolar vinha sendo impactada pela dispersão de poluentes de diferentes formas, o que pode resultar em problemas relacionados à Saúde Única”, explica a professora.
A partir dessa constatação, os alunos avançaram para a pesquisa de soluções. “Identificamos métodos ecologicamente sustentáveis capazes de amenizar essa situação, com potencial de contribuição especialmente para a população rural, que ainda carece de dados específicos, conforme aponta o IBGE (2022)”, destaca Sâmela. Segundo ela, a escolha da feira como espaço de apresentação foi estratégica: “Por se tratar de uma questão de interesse público, utilizamos esse ambiente para apresentar alternativas sustentáveis, acessíveis e de fácil aplicação pela população”.
A base científica do projeto está diretamente ligada a estudos desenvolvidos no Mestrado Profissional em Ensino de Biologia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). “Os estudos permitiram compreender aspectos bioquímicos, biofísicos e relacionados à saúde, além de evidenciar como processos naturais — como o fluxo de matéria e energia nos ecossistemas — podem ser aplicados em sistemas criados pelos seres humanos, com benefícios sociais”, afirma a professora.
Ela também ressalta a importância das metodologias adotadas. “No mestrado, há uma valorização do ensino investigativo e das metodologias ativas. Sob orientação do professor doutor Antônio Frederico, desenvolvemos uma sequência de ensino investigativa que culminou nesta exposição científica”, completa.
Na prática, o público pôde conhecer de perto problemas e soluções. “Inicialmente, os alunos apresentaram a presença de poluentes comuns no cotidiano. Um exemplo são os detergentes que, ao serem lançados diretamente no esgoto e alcançarem os corpos d’água, podem formar uma barreira à troca de gases, como o oxigênio, prejudicando a vida aquática e provocando desequilíbrios ambientais”, detalha Sâmela.
Em seguida, foram demonstradas soluções sustentáveis. “Apresentamos o funcionamento de um biodigestor em pequena escala, com o objetivo de generalizar o conceito para aplicações maiores, mostrando como esse sistema pode produzir biofertilizante e biogás”, explica. “Por fim, trouxemos modelos de biofiltração, como as wetlands, em que determinadas espécies atuam na absorção de poluentes, contribuindo para a purificação da água”.
O envolvimento dos estudantes foi um dos pontos altos do projeto. “Ao final da sequência investigativa, aplicamos um questionário de sondagem de opinião, que permitiu verificar o nível de engajamento dos alunos. Embora romper com o método tradicional seja um desafio, essa abordagem valoriza a autonomia e fortalece o protagonismo estudantil, tornando a aprendizagem mais significativa”, avalia a professora.
A experiência também marcou os próprios alunos. “Eu gostei muito de apresentar em um ambiente fora da escola e de poder compartilhar com a comunidade o que aprendemos”, relatou o aluno Pedro Marcos.
Já a aluna Amanda destacou a receptividade do público. “Enquanto eu passava pelas bancas distribuindo lembranças da exposição, as pessoas vinham perguntar, demonstravam curiosidade. Foi muito bom perceber que o nosso trabalho despertou interesse”, afirmou.
Para a professora, iniciativas como essa têm papel fundamental na conscientização ambiental. “Frequentemente são realizadas conferências ambientais em nível mundial, o que mostra a urgência dessas questões. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, da Agenda 2030, reforçam a necessidade de ações concretas voltadas à preservação ambiental, à justiça social e ao desenvolvimento sustentável”, pontua.
Ela conclui destacando o papel da sociedade nesse processo: “A conscientização ambiental é indispensável e depende do engajamento coletivo. É preciso participação ativa da população na divulgação de informações, na adoção de práticas responsáveis e na construção de soluções sustentáveis”.









