Caratinga é uma cidade pródiga no que tange à solidariedade. São muitos os clubes de serviços, as entidades assistenciais e as organizações socialmente responsáveis, sem falar na atuação individual do caratinguense, sempre disposto a estender a mão e a ajudar seu semelhante.
Logo no início da pandemia surgiu um grupo na cidade, denominado “Anônimos do Bem”, que também tem feito a diferença no socorro aos mais necessitados. Composto por profissionais autônomos, empresários, professores, policiais, aposentados, agentes públicos, donas de casa; muitos deles integrantes de outras agremiações, tais como o Lions, o Rotary, o MAC, Academias de Letras, Instituições de Ensino e Maçonaria, o grupo não divulga os nomes de seus membros, não mostra seus rostos e nem faz propaganda de suas ações. Ajuda, a partir de recursos oriundos dos próprios componentes e da boa vontade de muitas pessoas que também colaboram, sem saberem exatamente quem está pedindo e, muito menos, quem irá se beneficiar.
Esta semana tomamos conhecimento de uma das muitas importantes ações desse grupo de abnegados, que ajuda de forma completamente desinteressada e que vale a pena compartilhar com vocês. Trata-se da situação de A. S, um rapaz cego e que morava sozinho, com a mãe já idosa, em um bairro periférico da cidade. O rapaz tinha o peso corporal muitíssimo abaixo do normal, tamanho era o grau da desnutrição, além de anemia profunda. O “Anônimos” imediatamente prestou o socorro inicial e acionou a Secretaria de Saúde, que teve atuação fundamental naquele momento, haja vista a necessidade de cuidados das feridas, banhos etc. Registra-se, segundo o grupo, a atenção, a boa vontade e a educação do secretário de saúde, Erik Gonçalves.
Paralelamente, alguns membros do grupo passaram a se revezar nos cuidados adicionais e a ONG contratou uma faxineira para limpeza da casa e passou a fornecer a alimentação. Ocorre que, realmente, A. precisava de um(a) cuidador(a) em tempo integral e, infelizmente, até por questões legais, a prefeitura não poderia fornecer esse profissional. O grupo tentou o asilamento, mas ele não tinha a idade mínima exigida pelas casas que acolhem os idosos.
Consolidado o impasse, o grupo procurou o Ministério Público, tendo o seu pedido apreciado e acolhido pelo promotor Dr. Alcidézio José de Oliveira Bispo Júnior, cuja atuação – registre-se que ele faz a diferença no desenvolvimento de suas atividades -, foi decisiva para que A. passasse a receber do Estado a atenção e os cuidados a que faz jus todo cidadão brasileiro. Na manhã da última quinta-feira (14), cumprindo determinação judicial, o Município providenciou a transferência de A. para uma clínica localizada na cidade de Betim, onde receberá atendimento integral, por equipe especializada.
Quando se vê o bom resultado da atuação conjunta da sociedade, do Poder Judiciário e do Poder Executivo, como neste caso, acredita-se, mesmo, que dias melhores virão…
Dias melhores para o A. e para todos os “As” do Brasil, para o Anônimos do Bem e para todas as Instituições que travam uma luta diária em prol dos mais necessitados; para a Sociedade, para as empresas socialmente responsáveis e para o Serviço Público.
Pelo relato do grupo, nenhuma ação foi tomada ou conduzida contra alguém. Todas foram desencadeadas a favor de A. Sim, eu acredito: dias melhores virão!
*Eugênio Maria Gomes é professor e escritor.









