Confinados

(Noé Neto)

 

Nos caminhos, lentidão.

Ruas vagas, solidão.

Solidão criada, conduzida.

Falta de tempo, falta vida.

 

O tempo, relativo,

Hoje sobra ao oprimido,

Corre entre os dedos desvalidos,

Alarga-se nas mãos dos mais nutridos.

 

São provas certeiras,

Do tempo de expiação.

Acertando os passos,

Permitindo a regeneração.

 

Para a vida resguardar,

Restam-nos confinamentos.

Tempo de interiorizar

Repensando sentimentos.

 

Essa cura? Já há.

Encontra-se na caridade,

Medicamento sem patente,

Com produção independente.

 

Espalhada pelos caminhos,

Traz luz, arranca espinhos.

Acalenta o coração,

Destronando a solidão.