Ainda não é o fim (Parte IV):

A Grande Tribulação

 

 

Hoje chegamos ao ponto central de nossa reflexão sobre o ensino de Jesus em Mateus 24: a grande tribulação. Se a linguagem de Cristo significa algo, significa singularidade histórica absoluta. Não é apenas uma crise global; é a crise. Não é apenas sofrimento ampliado; é sofrimento sem precedente. É aqui que a distinção entre pré-tribulacionismo, meso-tribulacionismo e pós-tribulacionismo se torna relevante. O pré-tribulacionismo entende que a Igreja será retirada antes desse período. O meso tribulacionismo propõe uma retirada em sua metade, nos três anos e meio iniciais. O pós-tribulacionismo, posição que sustento, compreende que a Igreja atravessará esse tempo sendo guardada espiritualmente, mesmo sofrendo perseguições, martírio e as consequências de todas as catástrofes geradas pelo julgamento de Deus mediante o derramamento das taças de Sua ira. Contudo, independentemente da linha adotada, todas concordam que a grande tribulação é singular, um momento histórico único e inconfundível. E, se é tão único, não pode ser confundido com ciclos históricos recorrentes.

O próprio livro de Apocalipse aprofunda essa singularidade ao descrever as sete taças da ira, em Apocalipse 16: uma chaga maligna sobre os que têm o sinal da besta; o mar transformado em sangue; rios e fontes tornados em sangue; o sol abrasando os homens com fogo; trevas sobre o reino da besta; o rio Eufrates secando para preparar o caminho dos reis do Oriente; um terremoto de magnitude sem paralelo, acompanhado de saraiva devastadora. Esses eventos não são acontecimentos comuns; são juízos cósmicos. São intervenções diretas, progressivas e globais.

A queda da Babilônia, descrita em Apocalipse 17–19, a atuação da tríade satânica — dragão, besta e falso profeta —, o juízo final, em Apocalipse 20, e a inauguração dos novos céus e nova terra, em Apocalipse 21, compõem um cenário que ultrapassa qualquer leitura reducionista baseada apenas em conflitos regionais ou crises econômicas contemporâneas. O quadro é escatológico no sentido pleno: é consumação, não repetição. É geral, não localizado em certas localidades.

Portanto, diante da própria fala de Jesus em Mateus 24:21, afirmar que já estamos vivendo os dias que antecedem a volta de Jesus exige demonstrar que os acontecimentos em nosso mundo contemporâneo são únicos e singulares, e que nunca houve nada comparável na história humana. E, honestamente, à luz da própria história humana, marcada por guerras mundiais, pandemias devastadoras e perseguições sistemáticas, não podemos afirmar que o presente supera absolutamente todos os períodos anteriores em todos os aspectos. Isso não significa negar a proximidade da volta de Cristo. Significa apenas respeitar o critério estabelecido por Ele.

A escatologia bíblica não foi dada para alimentar sensacionalismo, mas para sustentar a perseverança dos crentes. “Aquele que perseverar até o fim será salvo.” O chamado não é para histeria escatológica, mas para fidelidade. Quando a grande tribulação vier — e virá —, ela não precisará de interpretação forçada; será reconhecida por sua magnitude inconfundível. Até lá, vivemos dores de parto, não o parto definitivo. Vivemos tribulações, mas não a tribulação singular de Mateus 24:21.

Nunca houve. Nunca haverá. Essa é a régua de Cristo. E, enquanto pudermos olhar para trás e encontrar paralelos históricos tão ou mais devastadores do que os atuais, somos obrigados, por honestidade exegética, a admitir: ainda não é o fim. E, com isso, devemos ter vigilância, sim, e não o sensacionalismo exagerado que muitas vezes. E, com isso, manter a esperança sempre.

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