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Escola estadual em festa

A Escola Estadual Ludgero Alves está pronta para comemorar o seu cinquentenário, com intensa programação organizada para a semana que vem.
Um dos trabalhos previstos é a coleta de depoimentos de ex-alunos, desde o tempo que a escola funcionava como Escola Reunida, no antigo Colégio Caratinga. Hoje a escola tem sede própria no Bairro Bela Vista acolhe jovens estudantes desde o ensino básico até a conclusão do ensino básico (1ª a 8ª série).   
A programação marca celebração de culto, na Igreja Maranata, dia 18, às 19h; missa, na Igreja da Conceição, dia 19, no mesmo horário. No dia, a Ludgero oferece um coquitel para convidados, incluindo antigos professores e autoridades.       
No dia 21, sexta-feira, a escola espera receber toda a sua comunidade escolar. Uma intensa programação deverá envolver alunos, pais e responsáveis e convidados, a partir das 19h.

Uma antiga aluna da Ludgero Alves é a respeitada jornalista Miriam Leitão. É dela o texto:
Era uma sala de poucos alunos, quase todos se conheciam, a maioria eu encontrava também nos domingos na Escola Dominical da Igreja Presbiteriana. Não havia muita novidade, até o dia em que o Curso Primário do Colégio Caratinga deixou de existir. Foi um choque.
Avisaram ao fim do segundo ano que, depois das férias, passaria a funcionar ali o Grupo Escolar Deputado Agenor Ludgero Alves.
No primeiro dia de aula eu senti o impacto da espantosa mudança: salas cheias, crianças desconhecidas, burburinho. Lá, misturados, estávamos todos: brancos, negros, pobres, crianças de bairros diferentes, de religiões diferentes, de níveis diversos de aprendizado.
Aquela avalanche que vivi nos dois anos seguintes, na terceira e quarta séries do Fundamental, foi decisiva para ampliar meus horizontes e me ensinar sobre o Brasil e suas desigualdades. Uma escola ensina não apenas através do conhecimento transmitido pelos professores, mas na grande troca de experiência que há nas salas de aula e fora delas. Aqueles dois anos de escola pública me abriram os olhos. Nos anos seguintes, o colégio continuou abrigando a escola e assim eu estudei num colégio particular que tinha dentro de suas salas e pátios uma escola pública. Maravilhosa experiência que me ensinava muito sobre a diversidade do Brasil e me induzia a ser solidária.
No segundo semestre de 1971, antes de sair de Caratinga para o vestibular em Vitória, eu dei aula nesta mesma escola, na sala de alfabetização.
Eu era apenas uma professora substituta, eventual, mas lá,
tive a inesquecível sensação de ensinar crianças a ler. Quando o aluno começa a ler o sentimento que dá no professor é de conquista. É meio mágico.
A Escola Estadual Deputado Agenor Ludgero Alves foi para mim tudo isso: uma aula de Brasil, o prazer da diversidade, a alegria de aprender e ensinar. Vivi na escola momentos inesquecíveis, por isso no seu cinquentenário eu mando daqui meu carinho, minha gratidão e minha esperança.

Miriam Leitão